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TEMA LIVRE
n. 9 (2024)O número 9 da Palavras ABEHrtas apresenta ao público leitor um conjunto de cinco textos que abordam temas potentes do ensino de História no Brasil.
Na Coluna Chão da História, o texto Um tucano, três memórias: experiências e expectativas nas memórias de estudantes em privação de liberdade, Henrique Silveira Gomes compartilha uma experiência marcante em sua trajetória na docência em História, desenvolvida no contexto de uma escola do sistema prisional. O artigo é fruto de uma atividade realizada na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio da Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, localizada no município mineiro de Juiz de Fora.
Vítor Bierhals é autor do texto Microconteúdos e ensino de história, na Coluna Desafios e dilemas da profissão docente, no qual discute e problematiza a utilização de microconteúdos audiovisuais e das novas redes sociais como ferramentas pedagógicas. Além disso, explora alternativas concretas e mapeia o potencial desses novos ambientes digitais no contexto das aulas de História na Educação Básica e na prática docente. A discussão tem como ponto de partida a experiência vivenciada durante o estágio de docência em História, realizado com duas turmas concluintes do Ensino Fundamental na modalidade EJA, no Rio Grande do Sul.
Elisa Maria Prado, também na Coluna Desafios e dilemas da profissão docente, apresenta o texto Iniciação à docência e tradições orais reflexões sobre o PIBID História da Univeridade Federal de Alfenas, edição 2022-2024. A autora reflete acerca de suas experiências, entre outubro de 2022 até março de 2024, no PIBID História da Universidade Federal de Alfenas, na Escola Municipal Antônio Joaquim Vieira. O subprojeto desenvolveu uma pesquisa que visou a recolha de tradições orais nas instituições de ensino e a localização de seus espaços de memória, inserindo a participação de graduandos em um processo de construção de conhecimento.
Na Coluna Vice-Versa, Rossano Sczip apresenta o texto A plataformização da educação na Rede Estadual do Paraná impactos sobre o trabalho docente e na disciplina de História, no qual reflete sobre as principais transformações desencadeadas no trabalho docente a partir da introdução de plataformas digitais de aprendizagem (PDA) e de ferramentas de gestão na educação pública paranaense.
Finalizando, o número apresenta o texto Memórias e brincadeiras: a infância preservada para o ensino de história, assinado por Emanoel Prado e Maria Clara da Silva Sartori Batista, na Coluna Trajetórias dialogadas. O artigo analisa o tema da infância e do brincar para a produção de documentários. As filmagens foram produzidas na cidade de União da Vitória, Paraná, pelo Laboratório de Aprendizagem Histórica (LAPHIS) da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), no âmbito do Projeto de Extensão “Tem Sempre uma Boa História” no ano de 2023.
Desejamos a todos/as uma excelente leitura e que os textos estimulem debates e possibilidades no ensino de História!
Comitê editorial.
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Experimentações criativas a partir do currículo de História em sala de aula
v. 10 n. número 10 (2025)O número 10 da Palavras ABEHrtas é destinado a refletir sobre “Experimentações criativas a partir do currículo de História em sala de aula”. O dossiê reúne textos que tratam de narrativas docentes, memórias, questões curriculares, embates, legislações, produções culturais, ideias históricas de estudantes, diferentes contextos históricos e suas reverberações no tempo, livros didáticos e tratamento do tema, dentre outras abordagens.
Na coluna “Chão da História”, o texto “A guerra contra o Paraguai, a cultura visual e os desafios do ensino de História”, de Álvaro Saluan da Cunha, analisa os desafios e possibilidades do ensino de História a partir da crítica às representações visuais da Guerra contra o Paraguai (1864-1870). Evidencia-se que a memória do conflito foi construída sob uma estética imperial que exaltou a participação brasileira, silenciando sujeitos subalternizados. Por meio da análise de obras como “Quadros históricos da guerra do Paraguay” e periódicos ilustrados, identifica-se o uso da cultura visual como reforço da narrativa nacionalista. O estudo propõe uma abordagem pedagógica intercultural e crítica, aplicada em turmas do Ensino Fundamental II e da EJA, mostrando o potencial das imagens para desenvolver leitura crítica, empatia histórica e questionamento das narrativas oficiais. Conclui-se que a inserção da análise crítica da cultura visual deve ser eixo estruturante no ensino de História, visando à justiça decolonial e à formação de sujeitos críticos.
Na coluna “Desafios e dilemas da profissão docente” apresentamos dois textos: “Trançando fios de sonho-esperança na sala de aula de História: fragmentos da experiência do estágio de docência em História”, de Agatha Rolim, cujo relato reflete sobre as experiências vividas no estágio curricular de História, articulando descobertas pessoais e coletivas com o potencial transformador dos sonhos no campo educativo. A autora narra percursos de aprendizado, tensionando identidade, estética e pedagogia, ao mesmo tempo em que reconhece os desafios e as desconstruções próprias da docência em formação. O texto apresenta o sonho como força utópica e como prática política, capaz de sustentar a esperança em meio às adversidades. Ao propor pensar a educação como espaço de resistência coletiva e reencantamento, o relato evidencia que o estágio não se restringe a uma prática obrigatória, mas constitui-se como um lugar de encontro, experimentação e elaboração crítica; “O Scaperoom Pedagógico: uma inovação no ensino de História”, de Cleiza Maia, apresenta a experiência de uma oficina de scaperoom pedagógico no ensino de História, realizada em parceria com a UFF. A atividade, orientada pela educação antirracista e por narrativas afrocentradas, buscou oferecer alternativas ao currículo tradicional e problematizar temporalidades e regimes de historicidade em sala de aula.
A coluna “Provocações” traz o impactante texto “Entre rimas e realidades: discutindo o feminicídio no ensino de história”, de Karolinne Ferreira Teles Souza Carvalho, no qual a autora relata uma experiência de ensino de História sobre feminicídio, usando a história oral como metodologia. A sequência didática, aplicada em escolas de Goiânia, articulou música, dados e relatos de vítimas para promover debates sobre violência de gênero. Conclui-se que a escuta e a partilha de memórias podem transformar a sala de aula em espaço de empatia, crítica e consciência histórica.
Na “Vice-versa” Cleyton Antonio da Costa assina o artigo “Fragmentos da história de uma cidade: uma obra memorialística e suas possibilidades no ensino de história”. O texto analisa a obra ‘Borda da Mata’ e sua história, destacando seu uso no ensino de História como recurso para discutir memórias e fatos locais, valorizando a dimensão da história da cidade no Sul de Minas.
Agradecemos aos autores e às autoras pelo envio dos textos e à equipe de curadoria das colunas pela leitura atenta e pelas sugestões encaminhadas.
Boa leitura!
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Tema Livre
v. 11 n. 11 (2025)O número 11 da Revista Palavras ABEHRtas reúne um conjunto diverso e qualificado de textos em tema livre, reafirmando o compromisso da revista com o debate plural no campo do Ensino de História. As contribuições aqui publicadas dialogam com desafios teóricos, metodológicos e políticos da formação docente e da prática pedagógica, articulando pesquisa, reflexão historiográfica e intervenção no espaço escolar.
Abrindo a edição, a coluna Chão da História apresenta o ensaio Intervenções pedagógicas no Ensino de História: compartilhando uma proposta para o ProfHistória, de Itamar Freitas e Margarida Maria Dias de Oliveira. O texto propõe um modelo operacional para a formulação, execução e análise de intervenções pedagógicas em dissertações do ProfHistória, articulando o planejamento finalístico de Ralph Tyler e a teoria da aprendizagem histórica de Jörn Rüsen. Ao organizar a intervenção como uma estrutura funcional orientada por finalidade, composta por finalidade disciplinar, carência diagnosticada, modelo de aprendizagem/ensino, questão de pesquisa e conteúdo, os autores oferecem critérios de qualidade que fortalecem o nexo entre fundamentos teóricos e ação docente. O ensaio contribui de modo direto para a tomada de decisões de orientadores e mestrandos, qualificando a produção de produtos educacionais como artefatos replicáveis, avaliáveis e teoricamente justificados.
Na coluna Desafios e dilemas da profissão docente, Gabriela Pereira dos Santos assina o texto O conceito de “progresso” em aulas de História: neoliberalismo ou novo humanismo? Resultado de pesquisa desenvolvida no âmbito do PROLICEN/UFG, o artigo investiga os sentidos atribuídos ao conceito de “progresso” por estudantes da educação básica, mobilizando aportes da História dos Conceitos. A análise das atividades realizadas durante estágios supervisionados evidencia como o imaginário neoliberal permanece fortemente presente nas interpretações dos alunos, mesmo após intervenções pedagógicas, apontando para os limites e as possibilidades da aula de História na problematização de conceitos historicamente carregados e politicamente disputados.
O número se encerra com dois textos na coluna Vice-versa. Em O livro didático preocupa nossos professores do ProfHistória, Rafael Feldens Maiztegui apresenta uma análise de dissertações do ProfHistória produzidas entre 2016 e 2025 que têm o livro didático como objeto de investigação, em diálogo crítico com Alain Choppin. O estudo evidencia a predominância de pesquisas voltadas a conteúdos específicos, marcadas pelo enfrentamento de desigualdades e invisibilidades históricas, ao mesmo tempo em que destaca a originalidade das abordagens do ProfHistória, caracterizadas pela proximidade com o objeto e pela dimensão propositiva.
Fecha a edição o artigo Música, decolonialidade e ensino de História: desafios para uma educação antirracista e decolonial, de Emilio Albuquerque Fernandes. O autor discute o uso de fontes musicais, iconográficas e literárias no ensino da História a partir da Belle Époque cearense, articulando referências da teoria decolonial e de pensadores afrodiaspóricos. O texto propõe caminhos para problematizar a modernidade, o racismo estrutural, a política de branqueamento e o não-lugar dos sujeitos racializados nas narrativas históricas, contribuindo para uma prática pedagógica comprometida com a educação antirracista.
Ao concluir este número, a Revista Palavras ABEHRtas agradece a todos e todas que colaboraram com a revista ao longo do biênio 2023–2025 - autores, pareceristas, conselheiros e equipe editorial - pelo trabalho coletivo que sustentou e qualificou este projeto. Desejamos êxito e um excelente trabalho à nova equipe editorial, que assume a revista a partir de janeiro de 2026, com votos de continuidade, renovação e fortalecimento deste espaço de diálogo no Ensino de História.